Gestão do Fluxo de Caixa em tempos de Covid-19 – para empresas e lares brasileiros nos próximos meses

gestão do fluxo de caixa em tempos de Covid-19
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Especialistas alertam que o coronavírus causará na América Latina uma crise de alta magnitude, isso porque a pandemia chegou num momento de crescimento econômico já lento. De acordo com a Cepal, órgão da ONU, a América Latina enfrenta o início de uma profunda recessão, o que levará a uma contração do PIB regional entre 1,8 e 4% em 2020.

A quarentena já provocou consequências na economia brasileira. A previsão é a de que o desemprego atinja 2,5 milhões de pessoas no pico da crise econômica e de que o pior momento do mercado de trabalho ocorra ao fim do segundo trimestre.

Em mais de 35 anos de vida corporativa e desde 2015 à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, lidando com as principais dores dentre os gestores de empresas, o assunto hoje é a gestão do fluxo de caixa em tempos de Covid-19.

Confira: Ações que pequenas e micro empresas na pandemia de Covid-19 devem tomar para minimizar a crise

Empresas na pandemia – Importância da Gestão do Fluxo de Caixa

O fluxo de caixa é uma das ferramentas mais simples na administração financeira ou na administração da tesouraria de uma empresa, mas que ainda muitos gestores ignoram como parte essencial para a sobrevivência do negócio.

Trata-se de um instrumento de gestão e controle financeiro que permite acompanhar as movimentações financeiras da empresa por meio da relação entre entradas (receitas), saídas (custos e despesas) e o saldo diário do caixa ou do banco, apurado e abatido com os seus controles, realizados em períodos determinados.

Na pandemia, o que se constata entre a maioria das empresas é que a gestão do fluxo de caixa em tempos de Covid-19 deixou a desejar, assim como outros importantes instrumentos como é o caso do capital de giro não tiveram a devida atenção.

Geralmente, o tesoureiro é o responsável por cuidar do fluxo de caixa, fazendo ‘bater’ os saldos entre o controle interno e o extrato bancário, seja bancário ou saldo adquirente (recebimentos por cartões de débito, crédito e vouchers), e também é responsável por fazer bater o caixa.

Entenda a importância da Gestão do Fluxo de Caixa em tempos de Covid-19

Gosto de começar a explicar a importância do fluxo de caixa, trazendo uma reflexão sobre o papel do capital de giro no negócio que é o de enxergar o resultado do quanto se tem HOJE no caixa da empresa, do quanto há disponível para o pagamento de contas.

Já o fluxo de caixa permite enxergar o FUTURO do negócio, mostrando por meio de um gráfico ou planilha os saldos diários dos recursos financeiros e isso permite a projeção para 15 ou 30 dias à frente, o que possibilita ao gestor que possa se antecipar na tomada de decisões para cobrir saldos negativos identificados no futuro.

Dentre as principais orientações para empresas na pandemia está a antecipação ao problema e, para isso, a gestão do fluxo de caixa é essencial porque evita surpresas.

Essa análise prévia do saldo diário com projeção futura ajuda o gestor a contornar os problemas com maior facilidade. Vamos supor que o gestor perceba que em determinado dia na projeção de 15, 30 dias à frente, ficará no negativo, isso o ajudará a tomar decisões a fim de evitar que no dia previsto o caixa fique prejudicado. Uma das ações que podem ser tomadas, por exemplo, é facilitar as vendas à vista por meio de descontos e antecipar os recebíveis (vendas via cartões de débito, crédito ou vouchers).

Empréstimo não é recomendado, mas se realizado com antecedência, pode gerar melhores taxas e condições para a empresa, o que não aconteceria em um caso de emergência em que a empresa precisa do dinheiro no dia, sem tempo hábil para negociar melhores taxas. A gestão do fluxo de caixa em tempos de Covid-19 é importante porque dá ao negócio tempo para tomar decisões, sem o peso dos prazos nos ombros.

Gestão do Fluxo de Caixa em tempos de Covid-19 para micro, pequenas empresas e lares brasileiros

A gestão do fluxo de caixa deve ser aplicada a todos os portes de negócios e também nos lares dos brasileiros nos próximos meses.

Logo no começo da quarentena, muito se falou sobre a importância de que fossem priorizados os comércios pequenos de bairros, que seriam os negócios que mais sofreriam com a crise. Porém, muitos desses negócios passaram a cobrar muito mais caro pelos produtos. Alguns deles alegando a dificuldade de negociar preços melhores com os fornecedores.

Como consultor, oriento esses comerciantes de micro/pequenos negócios a priorizar o consumidor. Aqueles que desejam que o seu comércio se torne uma prioridade para o consumidor e não uma loja de “conveniência”, precisam investir energia na negociação com fornecedores, em casos de preços abusivos, não tenha os produtos, aliás, muitas redes de supermercados têm barrado alguns fabricantes devido à prática de preços abusivos, mas não é só isso, seja transparente com os consumidores que questionarem se não houver determinada marca. O fundamental é manter um relacionamento de confiança e preço justo de acordo com o praticado no mercado.

E se você acha que a gestão de fluxo de caixa só pode ser aplicada nas empresas, desmistifico que não, até mesmo nos lares brasileiros esse instrumento de gestão pode e deve ser aplicado.

Há um termo amplamente utilizado pelos economistas que é “sentar no caixa”, o que isso que dizer? Economizar é a palavra de ordem, segurar o dinheiro que entrar. O que viveremos nos próximos meses se tratará de uma reação em cadeia, apenas um ou outro segmento de negócio não será atingido, mas a maioria da população terá algumas dificuldades.

Aqueles que tiverem acesso ao voucher do coronavírus devem se atentar de que o governo deverá pagar o valor total em até 50 dias, ou seja, um auxílio para os próximos três meses será recebido em pouco mais de um mês. A recomendação é guardar dinheiro, utilizar para aquilo que for estritamente necessário.

Nos lares brasileiros, a administração no que se refere à alimentação e itens de higiene pode ser realizada optando por produtos mais baratos, evitando marcas que praticam preços abusivos e desperdícios. Estamos em um momento atípico e será preciso além de paciência, muita negociação e administração.


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