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Disputa entre os reis e os seus herdeiros, brigas entre irmãos, conspirações contra os pais líderes de grandes Companhias, entre tantas outras situações presentes em filmes e séries que vemos por aí, não são tão ficcionais quanto se pensa!

Aliás, se olharmos para a História já se pode ter uma noção de como essas disputas podem causar problemas, com o exemplo do feudalismo (entre o século XI e XII), em que os pais davam terras aos seus filhos, não sobravam terras para todos e as brigas começavam. Do ponto de vista externo tudo pode parecer vão, mas dentro de um contexto que mescla família e propriedade, tudo pode adquirir uma proporção gigantesca.

Atuo na área corporativa há mais de 36 anos e como consultor junto à MORCONE Consultoria Empresarial desde 2015, dentre as minhas principais atuações hoje, está o atendimento a empresas familiares, lidando com processos sucessórios e outras questões que envolvem essa modalidade de negócio.

Pequenos conflitos, quando não solucionados na raiz, podem provocar um grande caos. Irmãos e herança em empresas familiares é aquele assunto que quase ninguém quer falar, mas é preciso.

Conflitos entre irmãos e herança em empresas familiares – problema que existe há milênios

O que leva ao surgimento de conflitos entre irmãos e herança em empresas familiares? Antes de chegar ao problema da briga por herança, é preciso começar a trazer à tona o que está por trás das primeiras disputas entre irmãos.

É comum que se atribua os conflitos entre irmãos principalmente à disputa por dinheiro e poder, mas há algo que também costuma estar em jogo, como aponta um interessante artigo sobre o tema: o desejo por reconhecimento.

A busca por reconhecimento por parte de algum membro da família, da sociedade ou de si mesmo também pode se tornar uma obstinação, o que pode desgastar e até adoecer  em muitos casos.

Quando se deseja, por exemplo, o reconhecimento do CEO/fundador da empresa, que muitas vezes é o pai ou a mãe, a disputa nem sempre é apenas relacionada à empresa, mas tem a ver com o desejo de se sentir mais amado por parte do pai.

Lidar com o tema irmãos e herança em empresas familiares correlaciona dois pontos fundamentais:

  • Família
  • Sociedade (cotas, ações, propriedade, etc.).

No contexto da empresa familiar existe ainda outro cenário: Quem irá ocupar a posição de CEO? Quem será o Gerente de Contas? O responsável pela área comercial? E por aí vai… Essa distribuição de papéis pode afetar grandemente as relações dentro das organizações.

Irmãos e herança em empresas familiares – algo simples se transforma em caos

Os problemas começam por vias simples. De repente o irmão mais novo acha que o irmão mais velho está tratando-o de forma “diferente” e não procurou conversar sobre isso. E geralmente esse tratamento diferente está relacionado com a separação de papéis, afinal, na empresa, antes do irmão, precisa estar a figura que ele desempenha na gestão da empresa.

Os mesmos conflitos habituais que ocorrem em nossas vidas e relacionamentos, grande parte deles por falta de comunicação, ocorrem no ambiente familiar, mas a diferença é que no negócio, as consequências disso podem ser graves e até comprometer a permanência do negócio no mercado.

Em muitos casos, o ego fala mais alto e cada figura da família deseja, como já mencionado, algum reconhecimento dentro do negócio. A máxima de que a vida pessoal não pode se misturar com a vida profissional, definitivamente não se aplica a empresas familiares.

Aliás, vale ressaltar que quando empresas tradicionais mencionam que no contexto da atualidade as pessoas precisam ser íntegras, ou seja, trazer quem são em totalidade, em todas as particularidades para o trabalho em equipe, isso é muito mais palpável considerando que as pessoas não são parentes. Já quando se trata de uma empresa familiar, a orientação é o oposto, é fundamental separar os papéis.

Mas como se separa os papéis sem que restem ressentimentos? Como ouvir a crítica do CEO da empresa, sem levar em conta que ele é o pai ou a mãe? Como, em uma reunião de trabalho, se portar de maneira profissional diante dos outros membros da equipe, quando se está diante do irmão, com quem aos finais de semana você joga futebol?

A linha entre família e área profissional é tênue e muitas empresas passam a enfrentar problemas devido a disputas de irmãos por herança porque pequenos conflitos, dia após dia, não foram solucionados.

Pode acreditar que em uma reunião com membros de uma família empresária, antes de ouvir sobre problemas financeiros, processuais, de gestão, você ouvirá sobre um irmão que não respeita o outro, ou que não fala com o outro, sobre a invalidação de um membro da família a uma decisão tomada por outro e por aí vai.

E nem sempre é o bem-estar da empresa que é a prioridade, mas é o ego que vem à frente.

Primeiro passo para vencer conflitos: Qual o papel dentro da família?

Instituto Empresariar, idealizado e fundado pelo administrador, Cícero Rocha, traz dicas simples, que também costumo aplicar em dinâmicas de atendimento a empresas familiares, que são.

Quem é você na sua família?

E literalmente é preciso refletir: você é o irmão mais velho, do meio, mais novo?

Entender com quem se tem mais proximidade

Sempre existem aquelas pessoas na família com as quais se pode ter mais contato: irmão mais velho, irmão mais novo, irmã, com o pai, com a mãe, avô, etc. Quem são essas pessoas para você?

Separe os papéis

É fundamental entender e conseguir separar os papéis. Seu pai é o CEO da empresa, sua mãe é a Presidente, sua irmã é a responsável pela área de Marketing, etc.

É muito comum que os sentimentos se misturem dentro da organização e se levem as conversas ou críticas para o lado pessoal, quando tudo deveria ser encarado sob a perspectiva meramente profissional.

Ter ajuda psicológica

O apoio de um especialista é primordial para ajudar cada integrante da família empresária a entender o seu papel e a alinhar suas expectativas e realidades dentro da empresa.

Fazer essa jornada de autoconhecimento ajuda a evitar frustrações que possam gerar conflitos ainda maiores.

Além disso, vale o alerta de que os conflitos que surgem na família recaem sobre a empresa e consequentemente também sobre a área societária.

Ter apoio jurídico

O contexto da empresa familiar é diferente do contexto tradicional, isso porque não se trata apenas da propriedade, as relações humanas estão em jogo.

Um problema pequeno que pode ter início por um desentendimento entre irmãos, pode se transformar num problema maior e muito mais difícil de ser resolvido: emocionalmente e financeiramente.

O ideal é junto ao apoio psicológico ter o respaldo jurídico para nortear todos os passos no negócio.

Resolvendo os problemas nas empresas familiares

Em uma interessante entrevista, Renato Bernhoeft, fundador e presidente do conselho da Höft Consultoria, voltada para processos de transição de gerações, sucessão e continuidade de empresas familiares, cita algumas situações que envolvem essa modalidade de negócio.

Ele menciona o fato de que muitas empresas decaíram no mercado porque o herdeiro virava “playboy” e comprometia a imagem da empresa. Já nos casos de empresas que ainda se mantêm no mercado, se percebe uma maior estrutura base em sua gestão, como no caso mencionado por Bernhoeft:

“O fundador da Bombril (Roberto Sampaio Ferreira) escrevia cartas para os filhos. Em uma delas, ele diz: Vocês não vão ser donos. Vão ser sócios. Quem tem sócio tem patrão; tem que dar satisfação.”

A figura do “dono” a partir da segunda geração já não serve mais, será preciso uma união entre os herdeiros para que a empresa continue prosperando.

É preciso repensar as relações, tocar nas feridas e não “fazer vistas grossas” aos pequenos conflitos diários, porque são eles, que no decorrer do tempo, poderão fazer de uma situação, algo insustentável colocando em jogo a empresa.

Ao pequeno sinal de conflitos, problemas de gestão, dificuldades no planejamento sucessório, procure a ajuda de um especialista experiente. Não permita que o micro contamine o macro!

 

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Veja também:

Empresas familiares – como se manter através das gerações?

Prós e contras da holding familiar no planejamento patrimonial


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