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Mesmo com tantas informações sobre gestão financeira à disposição, ainda é muito comum a empresas familiares enfrentar problemas por misturar patrimônio familiar com o da empresa.

Com mais de 35 anos no mundo corporativo e desde 2015 à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, auxiliando muitas empresas familiares, hoje trago um artigo sobre o assunto.

Principais erros cometidos na gestão da empresa familiar

Há uma série de problemas enfrentados por negócios familiares, dentre os mais marcantes, destaco:

Gestão desorganizada

Muitas empresas passam a enfrentar problemas quando “misturam” as relações familiares com as atribuições profissionais de cada membro da empresa.

Em muitos casos faltam diretrizes estratégicas ou até mesmo uma governança corporativa para estruturar o negócio, melhorando a sua gestão e relacionamento interno e com os seus públicos de interesse.

Falta da delimitação de conta jurídica e física

A mistura do patrimônio da família com o da empresa é um dos erros mais graves e comuns por parte das empresas.

Com o passar do tempo, esses negócios passam a experimentar as consequências de suas ações financeiras sem direcionamento estratégico.

Ausência de regras

É recorrente, principalmente em meus atendimentos, ter a revelação por parte dos gestores de que existem regras e diretrizes no negócio, porém a empresa não os cumpre mais, talvez porque tenham deixado de atender aos objetivos da empresa ou porque precisavam ser atualizadas, mas não foram.

É preciso ter muito claro aquilo que se deve fazer ou não.

Será preciso responder às seguintes questões:

  • Como é o fluxo de informações entre as áreas no negócio?
  • Como conciliar as metas individuais com as metas do negócio?
  • Quais são as regras em casos de fraudes ou de comportamentos inadequados?
  • A quem pertence o poder decisório no negócio?
  • Como é organizada a rotina do trabalho?

Entre outras questões.

Se diante de algum destes questionamentos, a empresa percebe que não possui uma resposta clara, é sinal de que a gestão do negócio precisa de uma restruturação ou em um futuro próximo os problemas poderão ser ainda mais complexos de solucionar.

Ausência de expertises na administração

Outro problema recorrente é a administração da empresa estar composta por pessoas sem as importantes atribuições para liderarem um negócio.

É possível conseguir se reinventar e aprender e é fundamental que as pessoas no negócio estejam aptas ao contínuo aprendizado.

O mercado está em constante evolução e atualmente produtos e serviços com maior facilidade perdem o poder de competitividade, por isso, estar sempre reciclando os conhecimentos e implementando mudanças, é primordial.

Além disso, pessoas devem compor o corpo executivo do negócio se possuem as habilidades de gestão necessárias e não apenas por laços consanguíneos.

Não se preocupar em inovar

No último Índice Global de Inovação (IGI), o Brasil ocupava o 57º lugar entre 132 países.

Dentre as empresas familiares, que representam 75% das empresas no Brasil, é fundamental que exista essa abertura à inovação e à visão estratégica. É muito comum uma maior resistência a mudanças, principalmente nos casos de sucessão e em que a nova gestão deseja implementar mudanças.

O novo tende a ser compreendido pela gestão do negócio como uma “ação invasiva” contra a história e tradição do negócio.

É preciso estar pronto para implementar mudanças e até mesmo para criar novos produtos/serviços com base em novas demandas no mercado. Estar sempre atento às novidades é essencial.

Erro ao misturar o patrimônio familiar com o da empresa

Este é o erro mais grave e comum nessa modalidade de negócio, por isso, decidi falar um pouco mais sobre ele.

Em empresas familiares, é mais comum do que se pensa o uso do cartão da empresa para pagar viagens, pagar o imposto da empresa a partir da conta pessoal ou outras situações em que a empresa não consegue fazer a divisão discriminada do patrimônio da pessoa jurídica da pessoa física.

E talvez este problema seja recorrente em empresas familiares por algumas razões, como a própria questão cultural da modalidade no Brasil. Geralmente a empresa começa pequena e vai crescendo sem o devido acompanhamento de um contador ou de um profissional experiente que possa direcionar as ações.

Misturar o patrimônio familiar com o da empresa também é compreendido como confusão patrimonial e quando isso ocorre, o principal problema é que os administradores não conseguem ter uma noção clara do que é lucro e do que é prejuízo e criam-se a partir daí inúmeros problemas, dentre eles:

  • Problemas na gestão do negócio;
  • Clima de tensão entre sócios;
  • Problemas com questões de legalidade.

Para entender melhor sobre como essa confusão pode dar dor de cabeça ao empresário, imagine que sem a noção exata do que são lucros e do que são prejuízos, a empresa decida assumir uma dívida qualquer e em consequência não consiga pagá-la. Aquele se sentiu prejudicado decide mover uma ação judicial contra o negócio.

No momento da avaliação do caso, o que se perceberá será a confusão patrimonial e o juiz então poderá decidir que pode ser desconsiderada a personalidade jurídica já que houve confusão patrimonial e, sendo assim, o pagamento da dívida poderá ser realizado a partir da conta dos sócios.  Consegue perceber como este problema pode tomar maiores proporções?

E aí que entra a necessidade da Holding Patrimonial Familiar

Basicamente a holding familiar tem o objetivo de proteger o patrimônio da família ou a também conhecida blindagem patrimonial. Quando é criado, os bens e direitos que pertencem à família como: imóveis, veículos, investimentos e negócios, não ficam mais no nome dos indivíduos, mas no nome da pessoa jurídica, a holding.

A holding patrimonial familiar assume a função de proprietário e passa a ter como sócios os familiares. Não se trata de um processo simples, mas é importante para assegurar a proteção ao patrimônio familiar.

Quando a empresa sente-se perdida em seus processos e gestão, o indicado é procurar pelo auxílio de um profissional experiente que possa direcioná-la.

 

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