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Empresas familiares representam a maioria no Brasil e pode até parecer uma modalidade mais prática no gerenciamento por se tratar de um núcleo familiar, mas… não é bem assim na prática.

Com minha ampla experiência no mercado ocupando cargos de liderança e como consultor na MORCONE Consultoria Empresarial atendendo inúmeras empresas familiares, hoje o assunto é sobre como lidar com problemas na relação familiar.

A mistura de papéis é um dos problemas que mais percebo entre empresas familiares, somos pessoas plurais e subjetivas, sendo assim, separar os papéis familiares dos profissionais na prática não costuma ser tão simples quanto teoricamente falando.

Principais questões que geram problemas em empresas familiares

O envolvimento familiar naturalmente gera envolvimento emocional, que muitas vezes se mistura com o profissional.

No atendimento a empresas familiares, as principais questões estão ligadas ao comportamento, a conflitos entre membros da família, a discordâncias, falta de diálogo ou de alinhamento de informações, etc.

Abordarei algumas temáticas mais comuns em empresas familiares, com base em minha vivência.

Pais e filhos – um problema de relacionamento que afeta muitas empresas familiares

É muito comum que existam problemas nos relacionamentos entre familiares e que seja algo muito difícil para os membros separarem o vínculo pessoal do comprometimento profissional.

Seu pai é o seu chefe e constantemente você confunde o pai com o profissional e o oposto também acontece.

Geralmente oriento que é de extrema importância que toda a família passe por atendimento terapêutico para que consiga lidar com as diferenças de papéis entre núcleo família e núcleo empresa, mas infelizmente muitas empresas familiares não dão a importância necessária ao suporte psicológico.

Se existe algum problema na comunicação entre pai e filho no negócio, por exemplo, isso pode afetar a empresa de alguma maneira, seja na gestão, em relação aos colaboradores do negócio, financeiramente devido a decisões tomadas separadamente, etc.

Vamos a um problema comum: “eu não consigo diferenciar meu pai do meu chefe e isso afeta nossa relação e de alguma maneira também expõe a empresa”.

Diante desse problema específico existe uma coisa fundamental: encarar um diálogo. Imagina em uma reunião, uma discussão acalorada entre pai e filho em que os colaboradores presenciam a cena, isso já seria algo embaraçoso para a imagem da empresa, não é mesmo?

O caminho para resolver esse conflito e conseguir separar os papéis é conversar sobre aquilo que incomoda ou o que está faltando para uma relação profissional saudável.

Os problemas podem ser muitos:

  • O pai não ouve as ideias do filho;
  • De repente o pai chama a atenção do filho de uma maneira mais acalorada em meio a uma reunião;
  • Pode ser que a relação entre pai e filho no âmbito familiar já não seja boa;
  • Talvez ambos tenham tido uma discussão recente ou guardem algum ressentimento um do outro;

Entre muitas outras situações.

Algo que é muito importante para conseguir fazer a empresa dar certo e também protegê-la é delimitar espaços e horários.

Há muitos casos de empresas familiares em que a família em casa não toca no assunto trabalho para preservar a relação familiar.

E algo que acredito ser muito importante é conseguir fazer a seguinte separação do que seria um problema para o chefe e do que seria um problema para o pai.

Existem muitas situações, por exemplo, em que se adota uma estratégia de comunicação em que não se chama o chefe de pai ou mãe, mas pelo nome ou sobrenome como é em toda a empresa, essa é uma boa maneira de separar os papéis e de sinalizar que a empresa é ambiente profissional separado do núcleo família.

A questão em torno dessas dinâmicas para melhorar as relações familiares é se as pessoas estão emocionalmente preparadas para lidarem com isso para que não se sintam “tratadas mal” ou “sem jeito”.

“Meu pai não ouve as minhas ideias” – como lidar nesses casos?

Diante desse problema tão comum, tem uma pergunta importante a ser respondida: como é a relação que você tem com o seu pai? Existe diálogo? Vocês são mais próximos ou distantes? Estão estremecidos por alguma discussão ou mágoas recentes? São melhores amigos?

Ao compreender como é essa relação, é importante pensar em qual a melhor abordagem.

De repente, essa comunicação precisa ser mais direta. Em outros casos, pode ser conversado com o pai em uma reunião familiar. Há muitos casos, por exemplo, do pai que se comunica mais com determinado filho porque tem problemas específicos com o outro.

É essencial também pensar em que lugar discutir essas questões, se no trabalho, em casa, ou, de repente, em algum outro local, que pode ser um ambiente de lazer para o pai em que se sinta mais descontraído para conversar sobre assuntos mais delicados.

Dependendo do grau de relação com o seu pai, pense em como abordá-lo, em como irá validar a sua ideia, apresente uma análise com base na concorrência, por exemplo, após o diálogo, monte um plano de ação para melhorar a comunicação e tornar o ambiente de trabalho mais saudável.

Lembre-se de que esse diálogo deve ser uma via de mão dupla, então ouça o que o seu pai está te dizendo, o que incomoda ele, o que ele não consegue entender talvez no seu comportamento, etc.

A relação familiar pode ser melhorada à medida que a relação profissional evolui e vice-versa.

É fundamental que exista abertura para o diálogo, mas pode ser que isso não exista na relação, então é importante intervir com ajuda profissional, seja de um mentor com especialidade na modalidade de empresas familiares ou de um profissional da saúde mental com especialidade no atendimento a profissionais.

Problemas na relação familiar podem impactar diretamente a gestão da empresa e problemas na relação profissional podem impactar negativamente as relações familiares.

“É possível separar as duas coisas, Carlos?” Sim, é possível, mas desde que todas as partes estejam cientes da importância de equilibrar essas relações.

Tem uma empresa familiar e está enfrentando alguma questão que fugiu do controle? Podemos conversar, amigo!

 

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